19 de novembro


Eu sei que não dá pra gente ficar 100% o tempo todo, mas mesmo com as adversidades, uma coisa que eu me permito sempre é acordar e acreditar que algo bom vai acontecer na minha vida. E acontece. Não é preciso muito. Às vezes, um aceno com a mão já basta. O caso é que às vezes estamos tão concentrados em um determinado problema que não prestamos atenção nos detalhes. Deus todos os dias nos dá uma nova chance, mas precisamos estar desprendidos o sufiente para abraçar.

Se a gente se permitir

Ele é um cara que gosta de falar
Ela é uma mina que não sabe cantar
Ele acredita que precisa gritar
Ela sabe que é preciso amar
Em algum lugar ele chora
E transforma em melodia a sua dor
Em algum lugar ele implora
Desistiu de falar de amor
Ele vê o trânsito congestionado
Mundo grande tão agitado
Queria tanto deixar tudo de lado
E a vida segue sempre imprevisível
Ela esbanja mil sorrisos
Mas tem coisas que não sabe explicar
Dizem que a vida é complicada
Quando a gente se deixa complicar
Tão simples como o mar
Tão forte como a Fé
Que seja o que Deus quiser
Que sentido não há
Em buscar sempre respostas
Em algum lugar ele implora
Desistiu de falar de amor
Em algum lugar ele chora
E transforma em melodia a sua dor
Ela já foi embora
É hora de dormir
A vida sempre corre em nossas veias
Se a gente se permitir.

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Ahhhhhhhhhhhh.........ainda lembro quando eu escrevi isso, sentada na varanda do conjunto onde Mariza morava. Ao lado de novos amigos super legais, danei a escrever e saiu isso aí - fruto de uma conversa pra lá de gostosa. Sei lá,não há nada de especial nelas, mas adoro as linhas acima.

Quase por ela mesma

Menina, do sorriso bonito
Rude contraste com os olhos de aflição
Menina, que a todos faz sorrir
E carrega dor no coração
Menina, do abraço amigo
Falta sente de se apoiar
Menina, que tem coração grande
E o mesmo pequeno na hora de chorar
Menina, que nunca se nega a ouvir
E sempre tenta compreender
Menina, que fala demais
E se cala para não fazer sofrer
Menina, louca menina
Quantos muros ainda há de construir?
E quando os mesmos desmoronarem
O que teus espelhos hão de refletir?
Menina…

Meg, 04/11/2003




Muitas vezes usamos máscaras e bailamos a vida, escondendo a nossa outra face.
Tem gente que ri o dia todo e chora de noite, gente que diz que é amigo e não é. Tem gente que fala que não tem medo, mas tem… Gente que se faz de forte e é fracote. Tem gente até que fala da máscara do outro para desviar o foco da sua própria máscara.
Gente que é gente (como a gente) tem sua máscara sim, mesmo que não admita, mesmo que insista em dizer que é aquilo que você pensa que vê.
Venhamos e convenhamos: Estamos todos mascarados! Mas não estou dizendo que isso é ruim, pois não é não. Tem gente que usa máscara e nem sabe que está usando, tem gente que usa para ajudar alguém, ah! São tantas utilidades que a máscara tem, que se fosse falar não caberia.
Mas não percamos tempo tentando descobrir a serventia, vivamos…usando-a ou não…por que cada um tem em sua consciência o que traz consigo na essência, lugar onde a máscara, seja qual for, nada esconde.

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Interessante como hoje, relendo textos antigos, eles parecem atuais. Poderia ter escrito agora que ainda assim faria sentido.

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Link original: http://pormeg.blog.terra.com.br/2007/01/11/bailemos/

Menina de Flor

Um dia eu fui assim
Metade menina, metade flor
Com o coração cheinho de amor
Um dia eu fui…de verdade!
Vai dizer que não sente saudade
Do tempo que eu inda era
Vestida de primavera
Da cabeça até os dedo do pé
Vai dizer que não é
De chorar das lembrança
Que eu inda tinha esperança
De voltar a ser… de verdade
Ah!Menina Saudade
Menina de flor
Menina de amor
Que não volta mais
De verdade?
Vai falar que não conta
Os minuto, os segundo
Pra poder voltar
Mas sabe não volta
Minha alma tão torta
Metade flor, metade menina
Guardadas no coração
Joga a chave fora
Meu bem não chora
Que então não demora
Meu eu de verdade.

Por Meg, em um dia qualquer que eu não me lembro mais.

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Ser criança é bom né? Nada de contas a pagar, trabalho da faculdade pra fazer, chefe pra cobrar..Aff!!!!!!!2 alto?! Deixa eu voltar a ser criança?


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Publicado originalmente em: http://pormeg.blog.terra.com.br/2007/10/03/menina-de-flor/

Mãe de Milena Bittencourt desabafa: Me sinto mutilada

Maria das Graças Ribeiro Bittencourt é mãe da jovem Milena Bittencourt, assassinada a facadas no dia 15 de setembro de 2007 pelo ex-namorado, Jardel da Pureza de Souza. O caso teve grande repercussão no estado e há um ano Maria das Graças travou uma incansável luta por justiça. Em entrevista ao Camaçari Notícias, ela fala da filha, de como era a relação entre as duas e dá detalhes da angústia que tem vivido desde o dia do assassinato. " Você quer saber como eu me sinto? Me sinto mutilada".


Como era Milena Bittencourt?

Milena era uma pessoa apaixonada pela vida. Tinha 26 anos, era extrovertida, brincalhona, e adorava crianças. Uma menina carinhosa com os amigos, com a família e que gostava de ajudar as pessoas pobres. Ela já era formada em administração de empresas e estava cursando o sexto semestre de psicologia. Mile adorava estudar e ainda queria cursar a faculdade de direito. Era muito autêntica, conselheira. Seu grande sonho era ser mãe, dizia que ia me dar uma netinha linda. Ela já tinha até comprado uma roupa de bebê toda rosinha e também tinha escolhido o nome: Marcele Vitória.


E a sua relação com ela?

Nós tínhamos uma relação muito aberta, ela era minha amiga (...), muitas vezes me aconselhava, cuidava de mim. É difícil falar sobre isso (...) ela me faz muita falta, já são um ano e seis meses de solidão, tristeza, dor e revolta. As pessoas dizem que o tempo ameniza a dor, mas para mim ele só aumenta o vazio porque a saudade é cada vez maior. Tem gente que sugere que eu mude de casa, mas não adianta, aonde eu for, ela estará comigo.


Como era o namoro dela e de Jardel Pureza?

Os dois namoraram um ano e quatro meses, mas eram muito diferentes. Milena uma pessoa extrovertida e ele bem mais reservado. Ele me enganou, demonstrava uma coisa e era outra, mas eu sentia que algo nele não era verdadeiro. Uma vez, estávamos na cozinha lá de casa e eu disse que ele tinha uma capa, pois demonstrava ser uma pessoa tranqüila, mas por dentro eu via nele uma grande inquietação.

Na minha presença eles nunca brigaram, mas fiquei sabendo de muitas coisas, que eles discutiam por ciúmes. Ele é o oposto de Milena, as pessoas me dizem que ele desejava a vida que ela tinha. No dia 15 de março de 2007, ela terminou com ele e foi espancada, chegou a ficar internada três dias. Mesmo depois disso, ele a procurava, não aceitava o fim da relação. Ele diz que morou um ano com ela, mas é mentira.

Quando viu sua filha pela última vez?

Foi na sexta-feira, dia 14 de setembro de 2007, um dia antes do assassinato, quando passei na faculdade dela para deixar a chave do apartamento (..) Me pediu para vir com ela para Camaçari no dia seguinte, mas eu tinha compromissos profissionais e não pude. Sábado eu a aguardei para almoçar, mas quando deu três horas da tarde e vi que ela não tinha aparecido, comecei a ficar preocupada. Ligava pro celular e caía na caixa de mensagem. Estranhei, pois ela nunca ficou sem me ligar.

E o que a senhora fez?

Chamei uma amiga para ir comigo a Salvador à noite, mas ficamos com medo da estrada e deixamos para ir no domingo pela manhã. Quando cheguei lá que não vi o carro da minha filha, pensei que ela tivesse ido para a praia, pois uma mãe só pensa no bem do seu filho, nunca imagina uma tragédia. Voltei para Camaçari, liguei para os amigos dela, mas ninguém tinha notícias. À noite, quando liguei para a portaria do prédio em Salvador e o porteiro me disse que tinha algo estranho por lá, me desesperei. Ele disse que tinham muitos policias, mas não me falou o que estava acontecendo.

Cinco minutos depois a delegada me ligou para dizer que tinham encontrado o corpo. Eu perguntei: que corpo? (...) Eu queria minha filha viva, eu não entendia o que ela estava falando. Meu filho caçula que tinha 16 anos na época foi quem pegou o telefone e conversou com ela (a delegada). Eu fiquei em estado de choque e ele passou mal. Comecei a ligar para parentes e amigos para nos ajudarem. Eu não tinha condições de nada.


Quem reconheceu o corpo de Milena?


Minha irmã mais nova que foi até Salvador para reconhecer minha filha. Segundo relatório do IML, Mile levou 37 facadas. O monstro confessou que teria chegado ao apartamento depois de 13h30, os dois discutiram e em seguida ele a matou. Eu nunca tive condições de olhar as fotos que constam no laudo do processo. Aquele monstro ainda enrolou Mile no edredom que ela mais gostava, limpou toda a cena do crime...eu fiquei impressionada com a frieza dele...não posso chamar esse homem de ser humano...um ser humano não faz o que ele fez com Mile. E que ninguém me diga que ele a amava...quem ama não mata.

Como a senhora reagiu a tudo isso?

Nos seis primeiros meses, eu dormia direto. Por conta própria, tomava seis comprimidos de remédio controlado por dia. Só acordei para lutar por justiça. Hoje faço terapia com uma psicóloga, mas a dor é muito grande, não sinto fome, não tenho alegria nem prazer em nada. E a dor não vai passar nem que o assassino apodreça na cadeia, porque sei que minha filha não vai voltar.

A senhora disse que acordou para lutar. Como tem sido essa luta?

Luto por justiça, para que esse caso não fique impune. Aqui em Camaçari eu sempre vou para a praça Desembargador Montenegro, levo cartazes dela, outras famílias que perderam entes queridos assassinados se juntaram e a solidariedade é grande. Sempre uso roupas com a imagem de minha filha. Eu não consigo usar outra, às vezes até tento, mas acabo vestindo a camisa com a foto de Mile, fiz várias. Vesti-la é uma forma de carregar Mile no colo novamente. Só troco para colocar a do movimento Mães da Praça da Piedade

Esse movimento está te ajudando nesta luta?

Sim, me juntei a Marion Terra, mãe de Lucas Terra que também foi cruelmente assassinado. Toda última sexta-feira do mês nós vamos para a praça da Piedade, em Salvador, e cada uma conta a sua história. A intenção é arrecadar um milhão de assinaturas para encaminhar ao Congresso pedindo a prisão perpétua para crimes hediondos.

No dia 27 de março, a justiça concedeu um habeas corpus após o advogado de Jardel alegar que ele agiu em legítima defesa. Como a senhora reagiu a isso?

Quando fiquei sabendo, dei um grito muito grande. Os vizinhos vieram correndo ver o que tinha acontecido e quando souberam o motivo ficaram muito chateados. Uma vizinha se vestiu de preto e disse que estava de luto. Tenho medo que ele fuja.

A senhora ainda acredita na justiça?

Apesar das falhas, de saber que alguns profissionais se vendem, eu acredito. Sei que existe muita gente séria na justiça, e que esse não vai ser mais um crime que vai ficar na impunidade. Ainda tenho esperanças, preciso ter.









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Entrevista publicada no Camaçari Notícias em 15 de abril de 2009: http://www.camacarinoticias.com.br/leitura.php?id=54247

DEMOCRÁTICOS SI ‘PERO NO MUCHO’

Uma das possibilidades mais empolgantes da internet, a tão propalada interatividade, ficou de fora das páginas dos candidatos à prefeitura de Salvador. Projetos, agendas, fotos e vídeos, está tudo lá, mas basta uma breve análise para se dar conta que o ciberespaço não é utilizado como recurso para ampliar as discussões e debates com a sociedade.

As únicas manifestações de interatividade fáceis de perceber são enquetes, e ainda assim com respostas pré-definidas, além de espaços como “poste sua foto” ou “mande sua mensagem de apoio ao candidato” e, no caso do website do candidato Imbassay, jogos online.

Alguns candidatos arriscam um tímido “Fale com fulano”, dando a impressão de que abrem espaço para um debate livre com os eleitores, porém se existem diálogos não estão disponíveis para que quem visite o site possa participar. Não existe nada que estimule a participação efetiva dos eleitores.

Todos os candidatos possuem o canal “programas de governo”, no qual apresentam suas propostas caso sejam eleitos, mas nenhum deles permite que o cidadão opine, ou mesmo sugira mudanças nesse programa. Mais uma vez perdendo a oportunidade de a interatividade interente à Internet para fomentar um debate útil.

O eleitor que procura os endereços eletrônicos dos prefeituráveis é apenas um receptor de informação, não tem a oportunidade de enviar suas dúvidas e ter as respostas do próprio candidato, mesmo estando em um espaço que permite este tipo de interação.

Causa estranhamento, o uso da ciberpolítica apenas como instrumento de propaganda. Em especial quando já é notória a eficácia da Web na a obtenção do “feedback” da sociedade que eles representam. Numa época de grande experimentação, mesmo na mídia tradicional, é engatinhar quando pode caminhar a passos largos. O que, mais uma vez, levanta a suspeita de que o diálogo como a base de sustentação não faz parte dos planos de nenhum dos candidatos.


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Matéria de Claudia Magnólia e Francys Santos para o site acadêmico Munzuá como atividade de avaliação para a disciplina de Jornalismo Digital I (Mestre Mateus Bastos, saudades dos seus ensinamentos!)

Zum zum zum


Tum tum tum
Bate assim bate Tum
Chega de auê, não quero zum zum zum
Não vou pra canto nenhum
Vou ficar aqui
Do lado de Deus que cuida de eu
Sem concordância, relevância, sentido faz nenhum
Tum Tum Tum
Bate assim bate Tum
Que eu não tô mesmo do jeito que Deus quer
Que eu sonhei com fogo, com chama, com dor
Que eu não sonhei nada do jeito que eu dormi pedindo pra sonhar
Tum Tum Tum
Bate assim bate Tum
Chega de auê, não quero zum zum zum
Sai pra lá, sai pra lá
Que eu não vou pra canto nenhum

Psicodelicamente

Demora, mas a hora arrasta a asa, o dia passa e a noite chega. Reveladora, que só ela. Nua e crua. Dolorida, de secar a garganta. Cruel. Satânica, eu diria. Soberana. Há pistas por toda a parte. Mas há somente um caminho para o altar. Há somente um caminho para saltar. Não pule! Segure a minha mão firmemente e encoste teu rosto choroso em meu peito. Sinta o calor do meu conforto. E se entregue. Por que não? Que brincadeira boba é essa? Não, não é brincadeira. Nada aqui é de brincadeira, maio e junho já passaram. Logo chega o Natal. E nem todo mundo acredita em Papai Noel. Agora, tudo é de verdade. E cheira mal. Ah! Esse cheiro...odioso. Repugnante. Imbecil. Traiçoeiro.

Afinal, do que se trata isso?


(Ora ora ora mocinha esperta, bote para funcionar essa cabecinha sabida)



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Angela Cheirosa costumava me chamar de psicodélica...
Minha mãe sempre disse que eu era inteligente demais pro gosto dela... ( sorry, eu me acho!)
Vai ver que eu sou mesmo....


:D

Permita-se

Ser forte às vezes cansa sabe?! Sinceramente, de vez em quando é melhor ser fraca!

Quando os problemas aparecem em nossas vidas, os amigos, as pessoas que nos amam e nos querem bem geralmente nos falam: “você precisa ser forte, você tem que ser forte”. Então aí vai uma pergunta: “de que porra adianta ser forte?”, superar tudo, manter o sorriso, não desmoronar, ou não deixar a peteca cair???????

Sempre procurei ser o mais otimista possível, tirar grandes lições das coisas não tão boas (para não dizer ruins), buscar sempre, sempre e - pelo amor de Deus!-SEMPRE uma luz no fim do túnel, uma saída!!!!!!!! Pra quê mesmo???? Agora acho que tudo é ilusão!

Tô pensando seriamente em ser fraca sabe?! Chorar por tudo, gritar, berrar, cair, despencar…e ter coragem de dizer para os meus amigos que nem sempre a vida é cor-de-rosa e que hoje, tudo o que eu quero é permitir-me ser fraca, chorar e parar de repetir para mim mesma que amanhã vai ser diferente! Tudo bem, amanhã pode até ser diferente, mas existem coisas que não mudam coisas que são sempre iguais, dores que não passam, feridas que não saram, cicatrizes que nos acompanharão para o resto da vida.

Um instante!Tapem os ouvidos!Acho que vou gritar:

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Peraê que eu vou xingar também: CARAAAAAAAAAAAAAAAAAAALHO!!!!!!!!!

Ufa!

Não chame de louco este meu desabafo, é preciso coragem para ouvir.

Por Meg, quebrando paradigmas em 01/02/2006 às 09:37:45

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Adoro esse texto por sua ingenuidade. Lembra uma parte de mim tão deliciosa...que eu nem sei mais onde está. Quem sabe um dia eu reencontre... (Link original: http://pormeg.blog.terra.com.br/2006/10/25/permita-se/)

Banana real


Minha mãe não deixava eu andar de bicicleta. Tinha medo que eu me machucasse. Também não gostava que eu jogasse bola porque eu caía, me ralava e não queria tomar banho pra não molhar e arder a ferida. Eu ficava triste, olhando minhas amigas se divertirem enquanto eu estava em casa. Mas minha mãe sempre trazia uma deliciosa banana real que vendia em frente a escola onde ela trabalhava. E eu me deliciava. Comia devagar, para não acabar logo. E comia escondida, para não dividir com ninguém. E naquela tarefa quase se esvaía minha frustração pelas brincadeiras desperdiçadas. É bem verdade que vez ou outra eu dava minhas escapulidas e brincava escondido. Mas é interessante como nesses dias não havia banana real. Parece até que mainha adivinhava. E eu ficava sempre na dúvida entre a tristeza de não brincar, a adrenalina de brincar escondido e a recompensa da banana real. Matilde Schnitman certa vez me disse que toda escolha implica em renúncia. Seja lá do que for. E por isso é tão difícil escolher, porque a gente nunca quer renunciar. Eu não sou mais criança. Todo dia, há uma nova decisão a tomar. Nessa vida adulta, penso que todas as situações poderiam ser resolvidas com cartões de crédito: compra-se tudo e parcela-se a perder de vista. Mas nem sempre pode ser assim. E eu estou falando de banana real e não de sonhos com recheio de goiaba. (Doce de leite, talvez).

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